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Resenha Científica
Doutor, a cirurgia teve algum erro na sua realização?
O enfoque ético da segunda opinião
Mesmo com os avanços da tecnologia e da reabilitação, ainda apresentamos maus resultados. No desfecho correto de um procedimento médico tem-se a sensação do dever realizado, mas no insucesso inicia-se um longo sofrimento. É sobre a segunda opinião que os doutores Bhattacharyya e Yeon emitem as suas opiniões.
Segundo os autores, as complicações cirúrgicas fazem parte do atendimento médico, sendo que 28% estão relacionadas à negligência.
A cirurgia ortopédica tem um lugar único na visão do erro médico por duas razões: primeiro porque raramente compromete a vida do paciente, porém ela pode causar incapacidade. Em segundo lugar, as radiografias servem como imagens de eventos passados. Por isso, o cirurgião deve estar capacitado científica e eticamente para poder discutir o resultado obtido com o seu paciente.
Direito da Ética
1. O paciente tem direito de acesso à informação médica como princípio ético da autonomia. Significa conhecer todos os aspectos referentes à sua doença e tratamento para participar de sua recuperação;
2. O paciente tem direito ao controle de seu corpo e a todas as informações geradas pelo atendimento médico;
3. O cirurgião deve estar atento no sentido de que todas as anotações podem ser acessadas pelo paciente ou seu advogado no caso de litígio ou outra razão. O médico deve sempre ser solícito com o paciente. É necessário que o relato do procedimento cirúrgico aborde todos os passos da cirurgia, esclarecendo qualquer dúvida que um colega possa apresentar ao ser solicitado para fornecer uma segunda opinião.
O parecer poderá esclarecer as dificuldades encontradas pelo cirurgião ao decidir por um determinado rumo na cirurgia e facilitar a análise correta do evento, pelo médico da segunda opinião. Mesmo diante de todas as evidências positivas ao procedimento realizado, o colega que dará a segunda opinião poderá discordar do atendimento médico.
Os conceitos acima são referendados pela Associação Médica Americana.
Aspecto legal
O médico que irá realizar a segunda opinião não possui autonomia para divulgar os erros cometidos pelos outros médicos. Se o médico da segunda opinião expressar uma questão negativa ao cuidado prévio, ele poderá ser arrolado no processo médico como testemunha do paciente.
Se o médico responsável pelo caso informar sobre as dificuldades e maus resultados obtidos, ele poderá livrar-se da condição de réu.
Obrigações éticas
Se for identificado que o paciente foi maltratado esse fato deverá, sob a ótica da ética, ser divulgado para a comunidade. Na legislação norte-americana, existe a condição de erro médico voluntário ou imperativo. Em função disso, o prontuário médico deve ser completo, identificando todas as etapas do atendimento ao paciente.
Nos Estados Unidos, os médicos não costumam denunciar um médico incompetente, porque os médicos não apreciam participar de processos médicos, os quais em geral são de longa duração.
Analisar o caso médico em conjunto com outro colega minimiza situações de conflito antes da execução da cirurgia. Essa ação reduz conflitos no atendimento e provoca um crescimento pessoal e científico na equipe médica.
Conclusão:
Ao enviar um paciente para uma segunda opinião, o médico tem uma responsabilidade ética de informar em detalhes todos os fatos relevantes sobre o seu atendimento. Isso é importante porque, apesar de o colega não ter estado presente no procedimento cirúrgico, ele terá condições de oferecer uma significativa opinião. Embora possa ser um desafio esse tipo de atuação, a realização de uma discussão clara sobre o atendimento médico será benéfica para todas as pessoas envolvidas no conflito médico.
Fonte: Bhattacharyya, T; Yeon, H, The Journal of Bone and Joint Surgery-American Volume 87-A(1), January 2005, p 223-225
Resenhista: Dr. Sérgio Zylbersztejn
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